Ponto Cego – Miguel Rio Branco

Nascido em 1946, Miguel Rio Branco é pintor, fotógrafo, diretor de cinema, além de criador de instalações multimídia. Apesar de produzir em diversas áreas e suportes é na fotografia que se encontra o cerne de sua construção poética: foi fotografando personagens e objetos marginais que o artista construiu seu estilo e seu legado.

Filho de diplomata brasileiro viveu a infância e adolescência entre Espanha, Portugal, Brasil, Suíça e Estados Unidos. Em 1966, estuda no New York Institute of Photography e, dois anos depois, na Escola Superior de Desenho Industrial – Esdi, no Rio de Janeiro. De 1969 a 1981, dirigiu filmes experimentais e trabalhou como diretor de fotografia para cineastas como Júlio Bressane (1946). Seu trabalho como fotógrafo documental o tornou conhecido como um dos melhores fotojornalistas que trabalhavam imagens em cor. Desde 1980 é correspondente da Magnum, tendo seu trabalho publicado em todo mundo, em revistas como Stern, National Geographic, Geo, Aperture, Photo Magazine, Europeo, Paseante.

A passagem do tempo, a violência, a sensualidade e a morte são temas constantes. Na série Pelourinho (1979), Miguel Rio Branco fotografa o Maciel, parte mais antiga do bairro do Pelourinho, em Salvador, Bahia, local bastante degradado, ligado à prostituição. Fotografa pessoas com rostos na penumbra, corpos marcados por cicatrizes e também se interessa por casas arruinadas pelo tempo. Capta o que resta de dignidade nas situações cotidianas do local, em ambientes cercados pela violência e pela solidão.

Em instalações criadas na década de 1990, exibe projeções fotográficas juntamente com recortes de jornais, cacos de espelhos ou retalhos de tecido. O espectador percorre assim um mundo em fragmentos, composto por imagens dramáticas. Utilizando recursos como transparências, justaposições, cortes e colagens, Miguel Rio Branco cria situações de continuidade e descontinuidade. Para alguns críticos, sua produção situa-se no limite entre arte, fotografia e cinema.

Na exposição “Ponto Cego”, que inaugura em Porto Alegre, no Santander Cultural, nesta terça-feira, personagens que vivem à margem como índios, trabalhadores, presos, crianças, boxeadores e prostitutas em Salvador, são alguns de seus retratados selecionados pela curadoria de Paulo Herkenhoff. A Liquens esteve envolvida na montagem da exposição, coordenando a produção de cenotécnica, em parceria com a Nonô Joris ArteProdutora.

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