Visões Elevadas de Eros – Carine Wallauer

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Inaugura na próxima quarta-feira, dia 08 de maio, a nova exposição da Galeria Mascate. Uma coletiva com mais de 22 nomes integram a mostra no térroa do espaço, enquanto no primeiro andar, o público poderá conferir os trabalhos de Carine Wallauer, em “Visões Elevadas de Eros”.

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“Eros” é uma das quatro palavras gregas para traduzir o amor: amor físico. Na exposição de Carine Wallauer, a artista apresenta uma forma diferente de mostrar esse sentimento, convidando o visitante a entrar em universos sensíveis que refletem os mais profundos sonhos.

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A exposição é composta por 36 fotografias analógicas nos mais diferentes formatos: coloridas, p&B, polaroides e imagens pintadas à mão. Seu trabalho retrata sua relação com as pessoas e lugares que ama, convidando o espectador a entrar em seu universo que reformula a realidade e o tempo misturando antigos sonhos com fragmentos de memória individual e coletiva.

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Carine Wallauer (Novo Hamburgo, 1988) é jornalista formada e fotógrafa autodidata. Seu trabalho é um projeto continuo em que retrata sua relação com as pessoas e lugares que ama. Acredita que através da fotografia é possível reformular a realidade e o tempo misturando antigos sonhos com fragmentos de memória individual e coletiva.

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Suas fotos já foram publicadas em diversos sites e revistas ao redor do mundo, como Impossible ProjectBoys on Film, Trend Hunter, ArtInfo, entre outros. Em 2013 lança seu primeiro fotolivro, Visões elevadas de Eros, e realiza essa sua primeira exposição individual, de mesmo nome.

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Leia o texto da artista sobre a exposição:

É dia claro, são vitrines, cartões, convites, surpresas declaradas na angustia da iminência do encontro, do sentimento, da dúvida, da presença, das ausências daquele que só participa como voyeur do movimento incompreensível, ou esquecido, ou invejável, ou memorável, ou mesmo doloroso daqueles que amam em par. É tarde dos namorados. É tarde para outros, para ele. Já é noite, escura, involuntária ao claro anseio, ao vermelho do coração que escorre em auto-referencia ao infinito das possibilidades que são ainda e apenas possibilidades, na noite escura, involuntariamente, ele teve vontade.

Fechou os olhos, abriu a porta. A casa.

Ponderou sobre a mobília, sobre construir coisas para ela e pintar e bordar e encher de fotos velhas e novas, sobre mudar coisas nela de acordo com a estação, trocar a ordem dos livros na estante, colocar as roupas em araras. Avaliou como tudo ficaria na penumbra de móveis em madeira detonados pelo tempo, com lustres, cortinas em véu, um vaso lascado na mesinha de centro, com essas flores pequenininhas, coloridas, que se compram secas em ramalhetes. Sentiu o cheiro doce dela, do bolo com chá de morango que foi preparado por uma luva de cozinhar feita de retalhos, já meio puída. Ouviu a chaleira apitando, ou a leiteira, e um barulho de chuveiro, ou de chuva, de água que cai, que faz frio e é fria, aconchegante. Olhou a coberta meio no chão, meio na poltrona, se misturando com o tapete, com as imagens em preto e branco da TV muda com o rádio, tocando alguma coisa conhecida e bonita, com palavras bonitas. E depois silêncio, a mesa com o bolo e o chá de morango da chaleira ou o leite da leiteira, quatro olhos que se olham e sorriem e mastigam.

Ele em quadro, agora ela, aleatoriamente desempenhando seus papéis, longe e perto e sonhando e acordados. Ele a vê escorada na parede de tijolos, aquela da qual arrancaram o reboco para combinar com a iluminação precária, comendo uma maçã com casca, despenteada, pensando em ir ou ficar para a refeição, se preparava sol ou noite, se devoraria, ou ele a devoraria.

Novamente são quatro olhos que se olham, sorriem, mastigam, produzem saliva, trocam saliva, e tem gosto de bolo, de chá de morango ou de leite. Derrubam o vaso com as flores pequenininhas e coloridas que compraram secas, caem na mesa de centro. Já não sabem se tapete ou cobertor, se luva de retalhos ou colcha de retalhos como no livro que leu quando criança em cima da cama, ao lado da janela que aberta deixa a luz e as estrelas de fora, porque lá dentro só os dois e aquela coisa conhecida e bonita com palavras bonitas que agora está em seus ouvidos.

Quatro olhos, que agora não se olham, pois fechados só vêem a si mesmos no escuro e profundo dos dois que são um e acabam em si e dormem e sonham e acordados são quatro olhos que se olham e sorriem e se fecham pra impossibilidade.

Entra.

 Visões Elevadas de Eros – Carine Wallauer

Galeria Mascate

De 08 de maio a 22 de junho

Vistação – de terça a sábado, das 14h às 18h

Entrada Franca

Rua Laurindo, 332

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