A arquitetura de Artacho Jurado

Jardins suspensos de Higienópolis miram o centro

João Artacho Jurado morreu em São Paulo em 1983, aos setenta e seis anos de idade, então distante de todo o glamour do meio que frequentara entre as décadas de 1940 a 1950, período em que projetou e executou a maioria de seus edifícios, que viriam a se tornar referências urbanas nas cidades de São Paulo e Santos.

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Filho de imigrantes e anarquistas espanhóis – oriundos de um vilarejo perto de Málaga, sul da Espanha – que vieram para o Brasil, no início do século passado, viveu em uma colônia anarquista em Mogi das Cruzes e foi obrigado a abandonar a escola ainda no primário, porque seu pai não admitia que jurasse à bandeira (o que era exigido no colégio). Portanto, ele não concluiu o curso primário.

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O fato de não ter diploma de curso superior em arquitetura ou engenharia impediu que Jurado se tornasse autor legal de seus próprios projetos, o que o obrigou a ter alguns colaboradores – como por exemplo, os engenheiros Aurélio Marazi e Guido Petrella –, que além de serem os responsáveis técnicos e autores dos projetos perante o CREA – Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia, foram também seus calculistas em algumas obras.

Artacho inicia sua relação com a construção através da projeção, execução e montagem de estandes em feiras, passando logo em seguida para criação de cenários e construção de pavilhões, um pioneiro na área. No final de 1942, deixa de lado a produção de cenários e estandes e somente em 1945 ele e o irmão decidem investir em construções residenciais. O primeiro projeto é um conjunto de sobrados – que ainda hoje possui todas as características originais da época – construído em um terreno grande em forma de L. Jurado, mais uma vez, pode experimentar a sua arquitetura, só que agora exposta para a rua.

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Sua arquitetura reflete os sonhos hollywoodianos do pós-guerra em uma mistura de estilos e linguagens: o moderno, o nouveau, o déco e o clássico. Visando a classe média-alta e alta, seus edifícios eram projetados com uma série de serviços e opções de lazer: piscina, terraço com bar na cobertura, onde eram promovidas as festas de inauguração.

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Curiosidades:

  • A revista inglesa Wallpaper apontou o Bretagne como um dos melhores edifícios para viver no mundo.
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  • Ao tombar o Edifício Viadutos, o Patrimônio exigiu a retirada do luminoso, que foi concebido no projeto original para aplacar os custos condominais.
  • O Edifício Viadutos possui 12 elevadores e foi um dos primeiros na cidade a possuir painel luminoso na cobertura
  • O filme “Domésticas”, de Fernando Meirelles e Nando Olival (2001) foi rodado no Edifício Cinderela.

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Principais edifícios

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Em São Paulo

  • Edifício Duque de Caxias – 1947
  • Edifício Pacaembú – 1948
  • Edifício Piauí – 1949
  • Edifício Cinderela – 1956
  • Edifício Viadutos – 1956
  • Edifício Planalto – 1956
  • Edifício Parque das Hortênsias – 1957
  • Edifício Saint-Honoré – 1958
  • Edifício Louvre – 1958
  • Edifício Bretagne – 1959

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